Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) solicitaram a intervenção da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para tentar impedir a continuidade da chamada “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, mobilização organizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A iniciativa, que ocorre em rodovia federal, gerou reações nos deputados de esquerda, que acusam os manifestantes de negligentes e irresponsáveis.
Caminhada liderada por deputado do PL segue em direção a Brasília
Nikolas Ferreira iniciou o percurso na cidade de Paracatu, em Minas Gerais, com destino a Brasília, na última segunda-feira, dia 19. Segundo o parlamentar, o ato tem caráter simbólico e busca chamar atenção para o que classifica como prisões injustas relacionadas aos atos de 8 de janeiro, além de defender a liberdade de expressão e cobrar posicionamento do Congresso Nacional diante de denúncias envolvendo o Banco Master e autoridades públicas.
Ao longo do trajeto, a mobilização ganhou adesões espontâneas de apoiadores e de outros deputados, o que ampliou o número de participantes na rodovia.
PRF aponta riscos e deputados criticam ato
Na quinta-feira, dia 22, a Polícia Rodoviária Federal informou que a manifestação apresenta “riscos extraordinários”, principalmente por ocorrer em uma rodovia de grande fluxo. No mesmo dia, Lindbergh Farias publicou um vídeo nas redes sociais criticando a iniciativa e afirmando que o grupo estaria descumprindo normas legais ao ocupar áreas da BR-040 sem autorização prévia.
O parlamentar argumentou que manifestações desse tipo exigem comunicação e aval dos órgãos competentes, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Lindbergh Farias comunicou que encaminhou um ofício à PRF solicitando a interrupção da caminhada ou o redirecionamento do ato para outro local. O documento, assinado também por Rogério Correia, sustenta que os participantes podem ser responsabilizados nas esferas administrativa e criminal.
No texto enviado à PRF, os deputados afirmam que a situação se agravou com o crescimento do número de pessoas ao longo do trajeto, aumentando de forma imprevisível os riscos à integridade física dos manifestantes e de motoristas que utilizam a rodovia.
Os parlamentares também destacaram que a circulação de pedestres no acostamento de rodovias federais é proibida, especialmente em trechos onde há registros de invasão da pista principal.
Uso de helicópteros gera novas críticas
Outro ponto levantado pelos deputados diz respeito ao uso de helicópteros durante a mobilização. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram aeronaves voando em baixa altitude e pousando em áreas próximas à rodovia.
Segundo Lindbergh, essas ações podem caracterizar infração aeronáutica grave e violação do artigo 261 do Código Penal, que trata de crimes relacionados à segurança da navegação aérea e de pessoas em solo.
Rogério Correia reforçou o posicionamento ao afirmar que a manifestação ocorreu sem aviso formal à PRF e colocou em risco tanto os participantes quanto terceiros que transitavam pela BR-040, ligação entre Minas Gerais e o Distrito Federal.

