*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 20 de janeiro, a Operação Silentium Vocis. A ação visa desarticular uma célula de uma facção criminosa que vinha aterrorizando empresários e comerciantes em Poconé, interior do estado, exigindo o pagamento de “taxas” ilícitas.

As equipes policiais estão nas ruas para o cumprimento de 14 ordens judiciais, sendo: 7 mandados de busca e apreensão domiciliar, 7 mandados de quebra de sigilo (dados e bancários).
O objetivo é colher provas materiais que liguem os líderes da facção ao esquema de extorsão sistemática na cidade.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Poconé, revelaram um método de atuação agressivo. Integrantes da facção criminosa visitavam estabelecimentos comerciais presencialmente ou entravam em contato via WhatsApp para intimar os proprietários.
Eles exigiam o pagamento de mensalidades que variavam de R$ 100 a R$ 500. O valor era estipulado pelos criminosos com base no porte da empresa e no volume de vendas do comerciante. O grupo apelidava a extorsão de “taxa de proteção”.

Quem se recusava a pagar o “pedágio” do crime organizado tornava-se alvo de represálias violentas. Segundo a Polícia Civil, os criminosos ameaçavam e executavam uma série de ataques, como furtos e roubos programados, agressões físicas contra os proprietários, depredação de vitrines e fachadas e incêndios criminosos.
Essa tática de terror explica o aumento expressivo nos registros de crimes patrimoniais em Poconé ao longo de 2025.
A polícia identificou que muitos dos furtos e roubos ocorridos no ano passado foram, na verdade, punições aplicadas pela facção contra comerciantes que tentaram resistir à extorsão.

