O volume de dinheiro esquecido por clientes em bancos e instituições financeiras no Brasil superou a marca de R$ 10 bilhões, segundo dados atualizados do Sistema de Valores a Receber (SVR), divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (13). O levantamento mostra que o montante disponível para saque atingiu um novo patamar histórico, refletindo o crescimento no número de pessoas físicas e empresas com recursos ainda não resgatados.
Valores esquecidos no sistema financeiro
De acordo com o Banco Central, atualmente cerca de 49,3 milhões de pessoas físicas e aproximadamente 5 milhões de empresas possuem algum valor disponível para retirada no SVR. O total chega a R$ 10,02 bilhões. No mês anterior, o saldo era de R$ 9,9 bilhões, com 48,7 milhões de pessoas físicas e 4,9 milhões de empresas cadastradas como beneficiárias.
Do total disponível, aproximadamente R$ 7,8 bilhões pertencem a pessoas físicas, enquanto R$ 2,2 bilhões estão vinculados a pessoas jurídicas. Desde a criação do sistema, o Banco Central informa que cerca de R$ 12,9 bilhões já foram devolvidos aos titulares desses recursos.
Bancos concentram a maior parte do dinheiro esquecido
As instituições bancárias são responsáveis pela maior fatia do dinheiro esquecido no sistema financeiro, concentrando cerca de R$ 6 bilhões. Além dos bancos, outros valores estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições.
Os dados indicam que administradoras de consórcio reúnem aproximadamente R$ 2,5 bilhões em valores disponíveis. Cooperativas de crédito somam cerca de R$ 878,5 milhões, enquanto instituições de pagamento concentram R$ 350,1 milhões. Já as financeiras acumulam R$ 203,7 milhões, e corretoras de valores, R$ 8,2 milhões.
O Banco Central também destaca que a maior parte dos beneficiários possui quantias reduzidas a receber. A maioria pode sacar até R$ 10, e menos de 2% dos cadastrados têm valores superiores a R$ 1 mil.
Como consultar e resgatar o dinheiro esquecido
A consulta ao dinheiro esquecido deve ser feita exclusivamente pelo site oficial do Sistema de Valores a Receber. O serviço é gratuito e exige apenas o preenchimento do CPF ou do CNPJ para a verificação inicial.
Para efetuar o saque, é necessário possuir uma conta Gov.br com nível de segurança prata ou ouro, caso haja saldo vinculado ao titular. Pessoas físicas que cadastraram a chave Pix com o CPF podem optar pelo resgate automático, modalidade disponível desde o ano passado.
Diferenças entre resgate automático e manual
No resgate automático, o valor é transferido diretamente pela instituição financeira para a conta do beneficiário, sem aviso prévio do Banco Central. Já empresas, contas conjuntas e instituições que não aderiram ao Pix precisam solicitar o saque de forma manual junto às instituições responsáveis.
O SVR foi criado para devolver recursos parados no sistema financeiro por diferentes motivos, como tarifas cobradas indevidamente, contas encerradas com saldo positivo, reembolsos não creditados e cotas de capital em cooperativas.
Procedimentos para herdeiros e representantes legais
No caso de pessoas falecidas, o herdeiro, inventariante ou representante legal pode consultar a existência de valores mediante o preenchimento de um termo de responsabilidade. O acesso é feito com a conta Gov.br do sucessor, que deve informar o CPF e a data de nascimento do titular falecido antes de entrar em contato com a instituição financeira responsável.

