A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que avalia indícios de uma possível relação indireta envolvendo Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. A apuração faz parte da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de cobranças associativas irregulares aplicadas sobre benefícios previdenciários. De acordo com a PF, as referências ao nome de Lulinha aparecem em diferentes materiais reunidos ao longo da investigação e estão sendo analisadas com cautela.
Menções a Lulinha em investigação da Polícia Federal
As citações relacionadas a Lulinha surgiram em depoimentos colhidos pelos investigadores, em conversas interceptadas legalmente e também em registros de deslocamentos. Segundo a Polícia Federal, todas essas informações passaram a integrar o conjunto probatório da Operação Sem Desconto, mas ainda não permitem conclusões definitivas sobre envolvimento direto.
Em documento encaminhado ao STF, a corporação destacou que, até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem participação direta de Lulinha nas práticas fraudulentas associadas aos descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Os investigadores ressaltaram que referências a uma suposta proximidade política precisam ser examinadas de forma criteriosa, uma vez que podem ser utilizadas por terceiros com o objetivo de obter vantagens.
Avaliação cautelosa das informações
A Polícia Federal frisou que a simples menção a nomes conhecidos não é suficiente para caracterizar responsabilidade criminal. Por esse motivo, todas as citações relacionadas a Lulinha seguem sob análise técnica, com o objetivo de verificar contexto, autoria e eventual relevância jurídica.
Posição da defesa de Lulinha
Em resposta às informações divulgadas, a defesa de Lulinha afirmou que ele nunca manteve qualquer vínculo com o Instituto Nacional do Seguro Social. O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que o cliente considera as referências feitas no inquérito como suposições sem fundamento concreto.
Segundo a defesa, Lulinha está tranquilo em relação às apurações e nega de forma categórica qualquer relação, direta ou indireta, com o INSS ou com os fatos investigados. O posicionamento reforça que não houve participação em contratos, intermediações ou benefícios ligados ao esquema sob investigação.
Análise sobre viagens e contratos citados no relatório
Um dos pontos examinados pela Polícia Federal envolve a possibilidade de Lulinha ter atuado como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, hipótese que estaria relacionada à empresária Roberta Luchsinger. Conforme o relatório, Roberta recebeu cerca de R$ 1,5 milhão do empresário em um contrato classificado como consultoria, e os investigadores avaliam se ela teria exercido o papel de intermediária entre as partes.
A defesa de Roberta Luchsinger informou que as tratativas comerciais não evoluíram e que nenhum contrato com a administração pública chegou a ser firmado. A versão apresentada sustenta que os negócios não tiveram desdobramentos práticos.
Registros de deslocamentos sob apuração
Entre os elementos analisados constam passagens aéreas emitidas com o mesmo localizador para Lulinha e Roberta. Os registros apontam viagens entre São Paulo e Brasília ao longo de 2025, além de um deslocamento internacional para Lisboa, em 2024. A Polícia Federal informou que ainda não conseguiu identificar quem foi o responsável pelo pagamento das passagens.
O relatório também menciona diálogos atribuídos ao Careca do INSS, nos quais há referência a pagamentos mensais de R$ 300 mil à empresa de Roberta. Em uma das conversas, aparece a expressão “filho do rapaz”, interpretação que, segundo os investigadores, pode indicar preocupação com a associação do nome de Lulinha aos negócios investigados.
Situação do empresário investigado e andamento do caso
Antônio Camilo Antunes está preso desde setembro do ano passado e é apontado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores do esquema de fraudes no INSS. A investigação segue em andamento e permanece sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, que recebeu a representação da PF para aprofundamento das diligências.
As autoridades destacam que o objetivo atual é esclarecer todas as conexões mencionadas nos autos, verificar a veracidade das informações e delimitar eventuais responsabilidades, sem antecipar conclusões.

