*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O novo ano começou com uma notícia dolorosa para as famílias atingidas pelo naufrágio no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães. Na manhã desta quinta-feira, dia 1º de janeiro de 2026, o Corpo de Bombeiros localizou o corpo do piloto da lancha, Vando Celso Almeida, por volta das 7h30.

A localização ocorre menos de 24 horas após o corpo do empresário Lucas Yerdliska também ter sido encontrado. O corpo de Lucas foi avistado na tarde da última quarta-feira, dia 31 de dezembro, por embarcações civis, que acionaram os militares. Ele estava a aproximadamente 1 km da margem do lago.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos de praxe antes de serem liberados para os atos fúnebres.
Com a localização das duas vítimas, encerra-se uma angustiante operação de busca que mobilizou forças de segurança e voluntários desde o último domingo.
RELEMBRE O CASO
A tragédia ocorreu no dia 28 de dezembro, durante o que deveria ser um passeio de férias. A família, natural de Arapongas (PR), estava em Mato Grosso para aproveitar o mês de dezembro. O dia estava ensolarado e as condições de navegação eram boas até por volta das 16h30, quando um temporal repentino — fenômeno climático comum e perigoso na região — atingiu a embarcação.
Em um relato emocionante à TV Centro América, Camila Mazzaron, esposa de Lucas e sobrevivente, descreveu a violência da tempestade:
“Começou umas ondas muito fortes, um vento muito forte. O Vando tentava de tudo, mas a lancha não dava continuidade. Estava vindo muita água e eu estava com o neném [de 1 ano] no colo”, relembrou.
A lancha virou instantaneamente após o motor ser desligado, lançando os cinco ocupantes na água. No momento do naufrágio, Camila conseguiu agarrar os dois filhos para evitar que a correnteza os separasse.
O PEQUENO HERÓI: BERNARDO, DE 6 ANOS
A sobrevivência de Camila e do bebê de 1 ano é atribuída à coragem e ao uso correto do equipamento de segurança pelo filho mais velho, Bernardo, de 6 anos. Ele era o único ocupante da lancha que utilizava colete salva-vidas.
O menino conseguiu nadar até a praia de um condomínio próximo para pedir socorro. Seu ato de bravura permitiu que as equipes de resgate localizassem a mãe e o irmão caçula, que estavam à deriva, agarrados a um flutuador.
“Ele que salvou a minha vida e a do irmão dele. Ele conseguiu chegar na praia e pedir ajuda. Eu já não estava vendo mais nada”, contou Camila.

