A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os católicos voltou a apresentar variação negativa, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira por instituto de pesquisa PoderData. Os dados indicam um recuo dentro da margem de erro, revelando mudanças no humor desse segmento religioso em relação à atual administração federal.
Avaliação do governo entre católicos
De acordo com a pesquisa, 48% dos católicos entrevistados afirmaram aprovar o governo Lula. O índice representa uma queda em comparação com o levantamento anterior, realizado em setembro, quando a taxa de aprovação era de 51%. Já o percentual de desaprovação subiu de 42% para 44% no mesmo período, indicando uma oscilação desfavorável para o Palácio do Planalto entre os fiéis da Igreja Católica.
Mesmo com a variação registrada, os números permanecem dentro da margem de erro estabelecida para esse recorte específico da amostra. Ainda assim, o resultado sinaliza uma tendência de instabilidade no apoio ao governo entre os católicos, grupo historicamente relevante no eleitorado brasileiro.
Comparação com eleitores evangélicos
Enquanto houve mudança entre os católicos, a percepção dos eleitores evangélicos sobre a gestão federal permaneceu estável. Segundo o levantamento, 66% dos evangélicos desaprovam o governo Lula, ao passo que 29% declaram aprovação. Esses percentuais não sofreram alteração em relação à rodada anterior da pesquisa.
A dificuldade de aproximação com esse segmento religioso vem sendo observada desde o período eleitoral de 2022, quando a maioria dos evangélicos demonstrou maior identificação com candidaturas associadas a pautas conservadoras e de direita.
Metodologia da pesquisa PoderData
A pesquisa foi conduzida pelo PoderData, instituto pertencente ao grupo Poder360 Jornalismo, com financiamento próprio. A coleta de dados ocorreu entre os dias 13 e 15 de dezembro de 2025, por meio de entrevistas realizadas via telefone, tanto em linhas móveis quanto fixas.
Ao todo, foram ouvidas 2.500 pessoas distribuídas em 133 municípios, abrangendo todas as 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Para alcançar uma amostra representativa da população brasileira, o instituto realiza dezenas de milhares de ligações, até compor proporcionalmente os recortes de sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica.
Estratégias do governo junto a grupos religiosos
Diante da resistência observada entre os eleitores evangélicos, o Partido dos Trabalhadores tem buscado alternativas para ampliar o diálogo com esse público. Uma das iniciativas recentes envolve a atuação da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que passou a participar de encontros com lideranças e fiéis de diferentes denominações.
Segundo informações divulgadas, Janja tem comparecido a cultos e reuniões, com foco especial em encontros com mulheres, nos quais apresenta programas sociais desenvolvidos pelo governo federal. Essa articulação conta com o apoio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo que declarou apoio à candidatura de Lula nas eleições de 2022.

