O Congresso do México aprovou uma ampla revisão nas tarifas de importação para países com os quais não possui acordos comerciais, medida que afeta diretamente o Brasil e outros importantes mercados. A decisão, que eleva alíquotas e altera centenas de classificações tarifárias, passa a valer em 2026.
Aumento tarifário aprovado pelo México
O Senado do México deu aval final ao projeto que amplia tarifas de importação para 1,4 mil produtos provenientes de países sem tratados comerciais com o país. As novas alíquotas, que terão mínimo de 35%, entram em vigor em 1º de janeiro de 2026. A aprovação ocorreu após análise na Câmara dos Deputados, com 76 votos favoráveis, cinco contrários e 35 abstenções.
Segundo parlamentares aliados ao governo de Claudia Sheinbaum, o ajuste tarifário busca estimular a produção interna e ampliar a competitividade da indústria nacional. A medida faz parte de um conjunto de ações mais amplo, alinhado às estratégias econômicas adotadas pela atual administração.
Países afetados e setores impactados
Além do Brasil, outros oito países foram incluídos na lista: China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia, Turquia e Taiwan. No total, 1.463 categorias tarifárias sofrerão mudanças.
Setores atingidos
Os setores abrangidos incluem:
- indústria automotiva;
- setor têxtil;
- vestuário;
- eletrodomésticos;
- plásticos;
- calçados.
A decisão deve gerar impactos na competitividade desses produtos no mercado mexicano, especialmente entre países que dependem do comércio exterior para abastecer o país.
Debates internos e críticas à proposta
Parte dos senadores que se abstiveram afirmou que o texto chegou ao plenário sem tempo hábil para análise detalhada. Eles apontaram ausência de estudos aprofundados sobre possíveis reflexos inflacionários e impactos no custo de vida da população.
Alguns parlamentares também relataram que a política tarifária poderia ter sido influenciada por pressões externas, incluindo posicionamentos do governo dos Estados Unidos durante as negociações comerciais em curso.
Pressão externa e contexto internacional
O debate ganhou força em um momento de tensão nas relações comerciais entre Estados Unidos e China. O México, segundo críticos da proposta, estaria sendo acusado de funcionar como rota de entrada de produtos chineses no mercado americano, intensificando preocupações na Casa Branca.
O país também se prepara, junto ao Canadá, para renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (USMCA) com os Estados Unidos, que já sinalizaram novas exigências. O cenário de disputas internacionais influenciou diretamente o ambiente político da votação.
Após o anúncio do projeto, o governo chinês manifestou contrariedade à restrição de exportações e afirmou que avaliaria possíveis respostas. O México chegou a propor a criação de um grupo de trabalho com Pequim, embora poucos detalhes tenham sido divulgados.
Objetivos do Plano México
Legisladores governistas defenderam que o aumento das tarifas visa fortalecer a indústria nacional, expandir cadeias produtivas e estimular a geração de empregos. A presidente Claudia Sheinbaum afirma que a iniciativa integra o chamado Plano México, programa direcionado à redução da dependência de importações e ao aumento do conteúdo nacional nos produtos fabricados no país.

