A escalada dos feminicídios desde 2023 reacende o alerta sobre a violência contra a mulher no país. Dados recentes mostram que o Brasil enfrenta um dos cenários mais graves desde a criação da lei que tipificou o crime, refletindo uma realidade que se desdobra tanto nas ruas quanto no ambiente digital.
Crescimento dos feminicídios no Brasil
O ano de 2024, por exemplo, registrou 1.492 feminicídios, o maior número desde 2015, quando a legislação passou a reconhecer o assassinato de mulheres em razão de gênero. Na cidade de São Paulo, levantamento divulgado por um canal de TV nacional apontou 53 mortes do tipo somente neste ano, configurando o maior patamar da série histórica.
Aumento no estado de São Paulo
Pesquisas conduzidas por entidades de segurança indicam que os feminicídios no estado tiveram acréscimo de 10% desde janeiro. Outro dado que chama atenção é o avanço das mortes em vias públicas, que praticamente dobraram na comparação entre os dez primeiros meses de 2024 e o mesmo período de 2025, passando de 33 para 48 ocorrências.
As denúncias de perseguição e assédio virtual contra mulheres seguem a mesma tendência. No Rio de Janeiro, o Dossiê Mulher revelou que esse tipo de registro cresceu mais de 5.000% na última década, saltando de 55 para 2.834 casos. Especialistas avaliam que o ambiente digital se tornou terreno fértil para agressões motivadas por misoginia.
Impactos sociais e culturais
Segundo historiadores, a expansão recente dos feminicídios acompanha um histórico de violências que atravessa séculos no Brasil. Argumentam que a combinação entre cultura misógina e desigualdades estruturais forma o cenário que permite a continuidade desses crimes, mesmo com avanços legais.
Histórias de vítimas revelam padrões de violência
A historiadora Patrícia Valim, professora da Universidade Federal da Bahia, destaca pesquisas que resgatam relatos de mulheres mortas por tentarem assumir o controle de suas próprias vidas. Seus estudos analisam crimes ocorridos nos séculos XIX e XX, revelando argumentos jurídicos usados para defender assassinos, como “legítima defesa da honra” e alegações de perturbação mental.
Esses registros históricos dialogam com o cenário atual, ao evidenciar que parte dos vícios institucionais permanece. De acordo com a pesquisadora, revisitar essas narrativas ajuda a compreender como a sociedade constrói e repete práticas que levam mulheres à morte.
Movimentos sociais e enfrentamento aos feminicídios
Patrícia afirma que ações coletivas são essenciais para enfrentar essa realidade. Ela cita o Levante Mulheres Vivas, movimento que organiza manifestações em diversas cidades do país com o objetivo de homenagear vítimas e reivindicar políticas mais eficazes de proteção.
Mulheres de várias cidades brasileiras realizam protestos neste domingo (7) para denunciar o aumento dos feminicídios e se posicionar contra todas as formas de violência que ameaçam seu direito à liberdade, ao respeito e à segurança.

