*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O impasse fundiário na região do Contorno Leste ganhou novos capítulos nesta semana, com o vereador Rafael Ranalli (PL), do mesmo partido do prefeito Abílio Brunini (PL), manifestando-se totalmente contra o plano do Executivo de regularizar a área invadida.
Ranalli classificou a interferência da Prefeitura no caso como um “absurdo”, defendendo o direito à propriedade como um princípio “sagrado” e pilar da direita.
A posição do vereador ocorreu após o pronunciamento de José Antônio, filho do proprietário assassinado João Pinto, na Câmara Municipal de Cuiabá na última terça-feira, dia 2 de dezembro, onde ele contestou a narrativa de “acordo” da Prefeitura.
RANALLI: DIREITO À PROPRIEDADE É SAGRADO
O vereador Rafael Ranalli foi enfático ao defender a família Pinto e criticar o plano do prefeito Abílio Brunini, ressaltando a contradição ideológica em seu próprio partido.
“A gente defende o correto, o legal e principalmente o direito à propriedade. Isso é pilar da direita. Tanto é que o direito à propriedade, para mim, vale tão quanto, não mais, que o direito à vida”, declarou Ranalli.
Ranalli afirmou que a família não aceita a desapropriação e não está interessada no valor monetário, mas sim na posse da terra que foi trabalhada por toda uma vida.
“A família não quer vender o lote. Totalmente contra, o direito a propriedade no meu mandato é sagrado. A família trabalhou, é dela”.
O vereador condicionou qualquer solução à aceitação dos proprietários.
“Concordo com a desapropriação desde que com a anuência da família. Se não, é um absurdo você interferir no direito a propriedade”.
FAMILIA CONTESTA “ACORDO” E FALA EM “IMPOSIÇÃO”
O descontentamento de Ranalli acompanha o protesto de José Antônio, filho do proprietário falecido, que rebateu a versão do Executivo.
“Eu só vim aqui porque a gente percebe que na mídia estão dizendo que é um acordo. Não é um acordo, é uma imposição”, afirmou José Antônio.
Ele classificou a situação como uma “atitude compulsória”, onde a família não tem “opção de escolha”.
José Antônio apelou ao prefeito, lembrando que “O senhor foi eleito com esse viés da legalidade. Queremos fazer parte disso”, disse ele.
PROPOSTA DE DOAÇÃO REJEITADA
José Antônio reforçou que a resistência da família não é motivada por dinheiro, mas pela memória de seu pai, João Pinto, assassinado na propriedade enquanto esperava uma solução burocrática.
“Meu pai perdeu a vida na propriedade. Meu pai foi humilhado, massacrado, e perdeu a vida no dia do aniversário da minha mãe. Não é questão de dinheiro”.
A família revelou ainda ter buscado uma solução consensual, oferecendo uma proposta de doação que foi rejeitada pela Prefeitura.
A família doou uma área de 5,7 hectares “no lugar mais alto da propriedade, livre de enchentes”, para atender aos “vulneráveis”, mas a Prefeitura “não aceitou essa doação”.
O filho de João Pinto reiterou que a proposta foi construída com a participação do Ministério Público e do Judiciário, mas “não houve uma resposta até o momento” da Prefeitura.
PLANO DO EXECUTIVO
O plano da Prefeitura, que gerou a crise, busca a regularização do Contorno Leste por meio de uma compensação financeira.
O prefeito Abílio Brunini pretende enviar um projeto de lei à Câmara para desafetar e vender uma área pública na região do Aeroporto Bom Futuro.
O recurso obtido com essa venda seria usado para comprar e regularizar a área da família Pinto, defendendo que a medida atenderá às famílias.

