A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira, dia 2 de dezembro, a Operação Cura Ficta, em apoio à Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com o objetivo de desarticular um sofisticado grupo criminoso interestadual especializado no golpe do “falso médico”.
A ação resultou no cumprimento de 22 ordens judiciais nos estados de Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro.
Foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão. O foco central da investigação é a exploração de familiares de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais gaúchos, gerando prejuízos que ultrapassam dezenas de milhares de reais em poucos dias.
O principal alvo da operação é um detento de 35 anos, que estava preso na Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, em Rondonópolis (MT). De dentro da unidade prisional, ele era o responsável por coordenar as chamadas e toda a logística do esquema de estelionato.

O GOLPE
Os criminosos ligavam para os familiares de pacientes em UTIs, passando-se por médicos ou diretores clínicos. Utilizavam nomes fictícios e fotos de médicos retiradas da internet para dar credibilidade ao golpe. Em seguida, informavam um falso agravamento no quadro de saúde do paciente internado. Exigiam o pagamento imediato via Pix para a realização de exames ou a compra de medicamentos “urgentes” que, na verdade, nunca existiam.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC) do Rio Grande do Sul, descobriu uma complexa rede de lavagem de dinheiro e ocultação de identidade.
ENVOLVIMENTO EM MATO GROSSO
Em Rondonópolis, uma mulher, companheira de um dos envolvidos e que fazia uso de tornozeleira eletrônica, foi presa por ter acesso a contas bancárias e gerenciar o fluxo financeiro do golpe.
O grupo possuía ramificações fora de Mato Grosso. Em Guaratiba (RJ), dois operadores foram localizados e detidos. Eles eram responsáveis por movimentar as contas bancárias utilizadas para receber os valores ilícitos.
A Polícia Civil apurou que o dinheiro arrecadado com os golpes era utilizado para o financiamento de uma facção criminosa.
A Operação Cura Ficta busca encerrar a atuação desse grupo que explorava a vulnerabilidade e o desespero de famílias em momentos de fragilidade em Porto Alegre e Canoas (RS).

