O comandante do Exército, Tomás Paiva, tratou diretamente com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as condições previstas para a prisão dos militares condenados no caso da suposta tentativa de golpe. A conversa, ocorreu na última segunda-feira (17) e abordou detalhes da condução dos réus e preocupações internas da Força.
Conversa discreta entre o comandante do Exército e Moraes
A comunicação entre o comandante do Exército e o ministro não aconteceu presencialmente. Paiva estava reunido em sua residência oficial, no Setor Militar Urbano, com o ministro da Defesa, José Múcio, quando Moraes fez uma ligação telefônica, segundo informações divulgadas pela revista Veja.
Durante a conversa, Tomás Paiva apresentou a Moraes a preocupação da cúpula militar quanto à forma como serão conduzidos os militares condenados pelo STF. Ele pediu que, no momento da prisão, os oficiais sejam acompanhados por integrantes da própria Força e não utilizem algemas, além de reiterar a necessidade de evitar exposição midiática.
Preocupações com a integridade e imagem de generais
O comandante relatou receios internos de que figuras como Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira possam ser submetidas a situações consideradas constrangedoras. A avaliação é de que uma exposição excessiva poderia gerar tensões nos quartéis e provocar desgaste institucional. Moraes, de acordo com relatos, não comentou os pedidos durante a ligação.
A previsão é de que, caso as prisões sejam determinadas, o procedimento siga o modelo aplicado ao general Walter Braga Netto, que cumpre pena em sala de Estado-Maior. Em Brasília, o local mais provável para novas detenções seria o Comando Militar do Planalto.
Posição do Exército sobre eventual prisão de Bolsonaro
Paiva também comunicou a Moraes que o Exército está preparado para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso o STF determine sua prisão em uma instalação militar. O comandante destacou que não se tratava de um pedido formal, mas de uma informação operacional. Segundo Paiva, a definição final caberá exclusivamente ao Supremo.
Avanço do processo no STF
Nesta terça-feira (18), o STF publicou no Diário da Justiça Eletrônico o acórdão que rejeita os primeiros recursos apresentados por Bolsonaro e por outros réus considerados parte do núcleo central da trama golpista, incluindo Paulo Sérgio e Augusto Heleno. A publicação formal inicia a contagem de prazos para novos recursos.
Normalmente, o STF autoriza o início do cumprimento da pena após a análise dos chamados “segundos embargos”. No entanto, Moraes pode determinar antecipação da prisão se entender que as defesas estão apenas tentando adiar o fim do processo.

