O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi oficialmente sancionado nesta sexta-feira (24) pelo governo dos Estados Unidos, conforme anunciou o Departamento do Tesouro americano. As medidas incluem o bloqueio de bens do mandatário colombiano e de seus familiares em território norte-americano.
Segundo o comunicado do Tesouro, a decisão foi tomada sob a justificativa de que Petro teria envolvimento com o narcotráfico. No entanto, as autoridades dos EUA não apresentaram provas concretas que sustentem a acusação.
As sanções ocorrem em meio à escalada de tensões entre Gustavo Petro e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, após uma série de trocas de declarações públicas entre ambos.
Conflito diplomático e acusações mútuas
Nos últimos dias, a relação entre os dois líderes se deteriorou após o colombiano criticar operações militares dos Estados Unidos no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Petro classificou as ações como “execuções extrajudiciais”, acusando Washington de violar o direito internacional.
Em resposta, Donald Trump chamou Gustavo Petro de “líder narcotraficante” e “meliante”, aumentando ainda mais o tom do confronto diplomático.
As críticas de Petro foram feitas durante uma coletiva de imprensa em Bogotá, onde o presidente colombiano afirmou que as ofensivas americanas, iniciadas em agosto, têm resultado em mortes de supostos traficantes sem julgamento. Ele destacou que esses casos deveriam ser tratados pela Justiça e não por meio de ações militares letais.
Operações dos EUA e mortes no Caribe e Pacífico
De acordo com informações divulgadas por Washington, desde 2 de setembro as forças norte-americanas vêm realizando ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas, publicando vídeos dos destroços em chamas. Até o momento, os EUA contabilizam nove ofensivas, que deixaram 37 mortos ao menos uma delas nas proximidades das águas colombianas.
O governo da Colômbia acusa os Estados Unidos de violarem seu território marítimo e afirma que um pescador colombiano foi morto durante uma dessas ações. Petro classificou o episódio como uma afronta à soberania nacional.
“O mar do Caribe está repleto de navios de guerra, aeronaves navais e mísseis. Inclusive, um pescador de Santa Marta foi assassinado em seu barco”, afirmou Gustavo Petro à imprensa, reforçando a gravidade da situação.
Gustavo Petro reage às sanções e critica política antidrogas americana
Em resposta à decisão de Washington, Gustavo Petro negou qualquer envolvimento com o narcotráfico e afirmou que continuará combatendo o tráfico de drogas, como vem fazendo há décadas.
“Lutar contra o narcotráfico durante décadas e com eficácia me traz esta medida do governo da sociedade à qual tanto ajudamos a combater o consumo de cocaína. Toda uma paradoxa, mas nem um passo atrás e jamais de joelhos”, declarou o presidente colombiano em nota pública.
Petro também mencionou que a sanção cumpre uma “ameaça” feita anteriormente por Bernie Moreno, aliado político de Trump, e classificou o episódio como um retrocesso nas relações diplomáticas entre Bogotá e Washington.
Consequências diplomáticas entre Colômbia e Estados Unidos
A crise ocorre meses após os Estados Unidos retirarem a Colômbia da lista de países aliados na luta contra o narcotráfico e revogarem o visto de Gustavo Petro e de vários de seus assessores. As tensões refletem uma piora significativa nas relações bilaterais, que antes eram marcadas pela cooperação em segurança e combate às drogas.
Durante coletiva, Petro afirmou que as acusações de Trump representam uma “calúnia” contra ele e contra a Colômbia. “O senhor Trump me caluniou e insultou a Colômbia”, declarou o presidente, destacando que as divergências políticas não justificam medidas econômicas punitivas.
As sanções impostas pelos Estados Unidos a Gustavo Petro ampliam a crise diplomática entre Bogotá e Washington, revelando um cenário de tensões políticas e acusações mútuas. Enquanto o governo americano alega combater o narcotráfico, Petro defende que o país está sofrendo retaliações injustas por suas críticas às operações militares no Caribe. O episódio marca um dos momentos mais delicados das relações entre os dois países nos últimos anos.

