O Congresso do Peru aprovou na noite de quinta-feira (9) o impeachment da presidente Dina Boluarte, de 63 anos, sob acusação de enriquecimento ilícito e responsabilidade em ações repressivas que resultaram em mortes durante protestos no país. Os parlamentares declararam a ex-chefe de Estado como “moralmente incapaz” de continuar no cargo, decisão que levou à sua destituição imediata.
A sessão, marcada por tensões e discursos inflamados, contou com a apresentação de quatro moções de vacância assinadas por diferentes bancadas, refletindo a ampla insatisfação política com a gestão de Dina Boluarte. Com a decisão, o então presidente do Congresso, José Jerí Oré, do partido Somos Perú, assumiu o comando do país nas primeiras horas desta sexta-feira (10), em cerimônia oficial realizada por volta da 1h (3h, no horário de Brasília).
José Jerí Oré assume a Presidência e promete reconciliação nacional
Em seu primeiro discurso como presidente interino, José Jerí Oré declarou que exercerá o mandato até julho de 2026, período que se estende por três meses após as eleições presidenciais previstas para abril do mesmo ano. Segundo ele, o objetivo de seu governo será “restaurar a estabilidade e promover a empatia entre os peruanos”.
Jerí Oré ressaltou que o Peru enfrenta um cenário de instabilidade política prolongada, com seis presidentes desde 2018. Ele afirmou que pretende conduzir um “governo de reconciliação nacional”, baseado na construção de acordos entre diferentes forças políticas e sociais.
O novo presidente também anunciou uma política rigorosa contra o crime organizado. Em suas palavras, “é hora de declarar guerra à delinquência e vencê-la de forma definitiva”. Ele garantiu que contará com o apoio da Polícia Nacional, das Forças Armadas e das instituições judiciais para fortalecer a segurança pública no país.
Processo de impeachment e ausência de Dina Boluarte no Congresso
O processo contra Dina Boluarte foi iniciado após denúncias de enriquecimento ilícito e uso indevido de recursos públicos. A ex-presidente, no entanto, nega as acusações e não compareceu à sessão em que poderia apresentar sua defesa, apesar de ter sido oficialmente convocada.
De acordo com comunicado do Congresso peruano, a ausência da mandatária foi interpretada por vários parlamentares como um ato de desrespeito à instituição. Com isso, a maioria decidiu pela sua destituição, encerrando um mandato que começou em dezembro de 2022, após a saída do ex-presidente Pedro Castillo, destituído por tentativa de dissolver o Parlamento.
Dina Boluarte e a crise política prolongada do Peru
Desde que assumiu o poder, Dina Boluarte enfrentava forte rejeição popular e críticas de diversos setores políticos. Pesquisas recentes mostravam índices de aprovação entre 2% e 4%, tornando-a uma das líderes menos populares do mundo.
Durante seu governo, o país foi palco de sucessivos protestos e confrontos entre manifestantes e forças de segurança, resultando em dezenas de mortes e agravando a imagem do governo perante a opinião pública.
Parlamentares como Susel Paredes, do Partido Morado, defenderam abertamente a destituição da ex-presidente. “A única maneira de o país seguir adiante é com o impeachment de Dina Boluarte”, afirmou a congressista em publicação na rede X, destacando que a decisão teve apoio de diversas bancadas.
A queda de Dina Boluarte marca mais um capítulo na crise política que o Peru enfrenta há anos. A posse de José Jerí Oré simboliza uma tentativa de restaurar a estabilidade institucional, em meio à desconfiança popular e à fragmentação partidária. Enquanto o novo governo promete reconstruir pontes e combater a criminalidade, o país segue dividido e à espera de eleições que possam redefinir o rumo de sua democracia.

