A ativista e líder opositora María Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025, conforme anúncio feito nesta sexta-feira (10) pelo Comitê Norueguês do Nobel. O reconhecimento foi concedido por sua atuação em defesa dos direitos democráticos do povo venezuelano e pela busca de uma transição pacífica da ditadura para a democracia.
Segundo o comunicado oficial, a decisão homenageia o “trabalho incansável” de María Corina Machado, que, mesmo diante de perseguições e ameaças, manteve-se firme em território venezuelano. “Apesar das sérias ameaças à sua vida, ela permaneceu no país, uma escolha que inspirou milhões de pessoas”, destacou o comitê.
O prêmio, avaliado em 11 milhões de coroas suecas — o equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão — será entregue no dia 10 de dezembro, em Oslo, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, fundador da premiação.
A perseguição e a resistência de María Corina Machado
Em outubro de 2023, María Corina Machado conquistou as eleições primárias da oposição venezuelana, mas foi impedida pelo regime de Nicolás Maduro de disputar a presidência no ano seguinte. Sua inelegibilidade foi decretada pela Corte Constitucional, órgão alinhado ao governo chavista.
Mesmo diante da repressão, a líder política optou por permanecer na Venezuela, vivendo de forma discreta e em local não divulgado. Nas redes sociais e em entrevistas, María Corina Machado continua denunciando prisões arbitrárias e violações aos direitos humanos cometidas pelo regime.
O Comitê Norueguês destacou que a permanência da ativista no país, “mesmo sob grave risco, inspirou milhões de cidadãos que lutam pela liberdade e pela justiça”. O comunicado também reforçou que reconhecer defensores da liberdade é essencial para a preservação da democracia, lembrando que a resistência de figuras como Machado mantém viva a esperança de mudança pacífica.
Trajetória de uma defensora da liberdade
Nascida em 1967, em Caracas, María Corina Machado é engenheira e possui formação em finanças. Sua atuação social começou cedo: em 1992, fundou a Fundação Atenea, dedicada ao acolhimento e à educação de crianças em situação de vulnerabilidade. Dez anos depois, foi uma das criadoras da Súmate, organização que se tornou referência na promoção de eleições livres e na formação de observadores eleitorais.
Em 2010, foi eleita deputada da Assembleia Nacional com uma das maiores votações da história recente do país. No entanto, em 2014, foi destituída de seu cargo pelo governo de Nicolás Maduro, iniciando um período de forte perseguição política. Mesmo assim, seguiu liderando o partido Vente Venezuela e participou da fundação da aliança Soy Venezuela, movimento que reúne diferentes correntes políticas em defesa da democracia.
O papel de María Corina Machado nas eleições recentes
Em 2023, María Corina Machado anunciou sua candidatura à presidência da Venezuela, mas teve o registro bloqueado pelo regime chavista. Nas eleições de 2024, apoiou o opositor Edmundo González Urrutia, cuja vitória foi questionada pelas autoridades, apesar das denúncias de fraudes e das evidências apresentadas por observadores independentes.
O engajamento de Machado reforçou sua imagem como uma das principais vozes da resistência democrática na América Latina. Sua trajetória inspirou movimentos civis dentro e fora da Venezuela, reafirmando o compromisso com a liberdade, mesmo diante de um cenário autoritário.
A concessão do Prêmio Nobel da Paz de 2025 a María Corina Machado simboliza o reconhecimento internacional de uma luta marcada pela coragem e pela resistência. Mesmo sob constante ameaça, ela se tornou um ícone da defesa dos valores democráticos e da esperança por um futuro livre para o povo venezuelano. Seu exemplo destaca o poder da persistência e da convicção na busca por justiça e liberdade.

