O Ministério da Saúde confirmou 17 casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, segundo boletim divulgado nesta terça-feira (7). Outras 200 notificações ainda estão sob investigação. O metanol é uma substância tóxica, usada principalmente em processos industriais, e sua ingestão pode causar cegueira, falência de órgãos e até morte.
De acordo com o levantamento da pasta, o Estado de São Paulo concentra mais de 80% das notificações, somando 15 casos confirmados e 164 sob análise. O Paraná aparece na sequência, com dois casos confirmados e quatro suspeitos. Além desses, outros 12 Estados também registraram ocorrências em investigação, incluindo Acre, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia e Rio Grande do Sul.
Aumento nos casos de intoxicação por metanol
Segundo os dados oficiais, São Paulo é o epicentro dos casos de intoxicação por metanol, respondendo pela maioria absoluta das notificações. O Estado também concentra as duas mortes confirmadas até o momento, enquanto outras 12 seguem sob apuração. Esses óbitos em investigação estão distribuídos entre São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraíba e Ceará.
A concentração dos casos no território paulista acende um alerta para a necessidade de intensificar a fiscalização de bebidas alcoólicas, especialmente em regiões onde há venda de produtos de origem duvidosa ou sem registro nos órgãos competentes.
Governo federal reforça apoio na investigação
Durante entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo federal irá oferecer suporte ao Estado de São Paulo para agilizar a confirmação dos casos e a identificação das fontes de contaminação.
Para isso, dois laboratórios atuarão como referência nacional: um na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e outro na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com o ministro, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), vinculado à Unicamp, possui capacidade para realizar cerca de 200 exames diários.
Padilha destacou que esses exames serão fundamentais para esclarecer as suspeitas ainda pendentes. “A Unicamp poderá ajudar a resolver dúvidas sobre os casos confirmados em São Paulo, que concentra a maior parte das notificações”, afirmou.
Fiocruz atuará como centro de apoio nacional
Além da Unicamp, a Fiocruz também colocará à disposição um segundo centro de referência para atender outros Estados que enfrentam dificuldades na realização dos exames. O objetivo é garantir maior agilidade no diagnóstico e ampliar a capacidade de resposta das autoridades de saúde em todo o país.
Essa medida visa não apenas confirmar os casos de intoxicação, mas também contribuir para identificar possíveis lotes de bebidas adulteradas que possam representar riscos à população.

