O preço do ouro registrou em 2025 o maior aumento em mais de 40 anos, despertando a atenção de investidores em todo o mundo. O metal precioso, que acumulou valorização superior a 50% no ano, alcançou o recorde de US$ 3,94 mil por onça-troy, conforme informou o Financial Times. Esse salto histórico reforça a busca global por ativos de proteção em meio a um cenário de incertezas econômicas e geopolíticas.
O que explica a alta do preço do ouro
A expressiva valorização do ouro começou com a guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump, que provocou uma onda de instabilidade no mercado internacional. A incerteza levou investidores a buscar refúgio em ativos considerados seguros, impulsionando o preço do ouro e pressionando o dólar para baixo.
Mesmo após a diminuição da volatilidade nas tarifas, a escalada do metal não perdeu força. Somente em setembro, a cotação subiu quase 12%, registrando o maior avanço mensal desde 2011. O movimento reflete uma combinação de fatores econômicos, estratégicos e comportamentais, marcada por um fenômeno conhecido como “FOMO” — fear of missing out, ou medo de ficar de fora dos ganhos.
Investidores institucionais impulsionam a corrida do ouro
Segundo o Financial Times, a atual corrida do ouro vem sendo alimentada principalmente por investidores institucionais, como fundos de pensão, que passaram a incluir o metal como parte permanente de suas carteiras. Essa tendência sinaliza uma mudança na tradicional estratégia de alocação de ativos.
O banco Morgan Stanley, por exemplo, sugeriu uma nova composição de investimentos, substituindo o modelo 60/40 — baseado em ações e renda fixa por uma divisão 60/20/20, na qual o ouro teria o mesmo peso que a renda fixa. A ideia reflete a crescente percepção do ouro como instrumento de proteção e estabilidade em períodos de instabilidade política e financeira.
A força dos fundos de ouro e o recorde histórico
Outro ponto central para o aumento do preço do ouro está na forte entrada de recursos em fundos de investimento e ETFs lastreados no metal. De acordo com dados do World Gold Council, somente nas últimas quatro semanas esses fundos receberam mais de US$ 13,6 bilhões em aportes, o que elevou o total acumulado no ano para US$ 60 bilhões líquidos — o maior valor já registrado.
Com isso, o volume total de ouro sob gestão ultrapassou 3,8 mil toneladas, aproximando-se do pico observado durante a pandemia de covid-19. Esse crescimento demonstra que o metal voltou a ocupar um papel de destaque como reserva de valor e alternativa frente à volatilidade dos mercados tradicionais.
Dívidas soberanas e juros baixos fortalecem o ouro
A alta do preço do ouro também está relacionada à preocupação com a emissão recorde de dívidas soberanas por parte de economias desenvolvidas. Esse movimento tem reduzido o apelo dos títulos de renda fixa, considerados menos rentáveis em um ambiente de juros baixos.
Além disso, a pressão exercida por Donald Trump sobre o Federal Reserve para manter taxas de juros reduzidas reforça o ouro como uma das principais opções de proteção de longo prazo. Diante da combinação de incertezas políticas, inflação e endividamento global, o metal tem sido visto como um refúgio seguro para preservar valor.

