O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (3), a investigação de 59 casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no Brasil. Durante coletiva de imprensa, o ministro Alexandre Padilha alertou sobre os riscos, principalmente em destilados, e recomendou cautela à população até a conclusão das apurações.
Intoxicação por metanol em bebidas adulteradas
De acordo com Padilha, a maior ameaça está em produtos destilados adulterados de forma criminosa, já que esses líquidos incolores podem ser facilmente manipulados após a fabricação. Até o momento, não há registros de contaminação em cervejas.
Segundo o ministro, episódios anteriores envolvendo marcas de cerveja, como o da Backer, tiveram origem em falhas industriais, enquanto agora as suspeitas recaem sobre adulterações realizadas após o processo produtivo. “Neste caso atual, há fortes indícios de que garrafas tenham sido manipuladas criminosamente”, explicou.
Risco menor em cervejas e vinhos
A cerveja, por exemplo, considerada a bebida alcoólica mais consumida no país, apresenta risco reduzido nesse tipo de fraude. Isso ocorre porque possui características como gás, tampa e processo de envase que dificultam a adulteração. No entanto, o ministro reforçou que a vigilância deve ser mantida até o fim das investigações.
Dados do Relatório Global de Consumo de Cerveja 2024, da Kirin Holdings, colocam o Brasil na 25ª posição entre os países que mais consomem a bebida. A média anual é de 69,3 litros por habitante, consolidando a relevância da cerveja na cultura nacional.
Alerta do Ministério da Saúde
Enquanto as análises não forem concluídas, o governo orienta que a população evite consumir bebidas destiladas, uma vez que não há como rastrear a origem e a distribuição das garrafas adulteradas. Casos já foram notificados em São Paulo, Pernambuco e no Distrito Federal. Até agora, uma morte foi confirmada por intoxicação por metanol, enquanto outras seis estão em investigação.
O que é o metanol e por que é perigoso
O metanol é um álcool de uso restrito à indústria, empregado na fabricação de solventes, plásticos, tintas, combustíveis e até em processos de geração de energia. Apesar de sua utilidade técnica, ele não deve ser ingerido, pois pequenas doses já podem ser fatais.
O perigo está no metabolismo do metanol no organismo. Ele se transforma em substâncias como formaldeído e ácido fórmico, capazes de provocar sérios danos ao sistema nervoso, causar cegueira irreversível e levar à morte. A simples inalação também pode representar riscos à saúde.
Diferença entre metanol e etanol
Embora semelhantes do ponto de vista químico, etanol e metanol têm efeitos muito diferentes no corpo. O etanol é o álcool presente em bebidas e, quando consumido moderadamente, pode ser metabolizado com segurança. Já o metanol, em qualquer quantidade, é considerado tóxico e impróprio para consumo humano.

