*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A família presa em flagrante por manter um canil clandestino em condições de extremo abandono e maus-tratos foi liberada após decisão do juiz Gleidson de Oliveira Grisote Barbosa, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo). A liberdade foi concedida mediante o pagamento de fiança de R$ 1,5 mil por pessoa, valor que poderá ser parcelado em três vezes.
A decisão do magistrado gerou repercussão, já que a gravidade das acusações era evidente. O juiz, no entanto, considerou a prisão preventiva uma medida “extrema” e desnecessária no momento, optando por impor medidas cautelares aos investigados, que incluem Thyago Jesus de Figueiredo Herane, Angela Pinho de Figueiredo Herane, Herleno Angelo de Figueiredo Herane, Mirtes Miranda de Figueiredo e Caio Lucas Silva de Oliveira.
As medidas cautelares impostas são comparecimento mensal em juízo para informar e justificar atividades, proibição de se ausentar da Comarca por mais de sete dias, proibição de mudar de residência sem prévia comunicação à Justiça e proibição de se envolver em novas infrações penais.
O CENÁRIO ENCONTRADO NO CANIL CLANDESTINO
A prisão da família ocorreu após uma operação conjunta da Delegacia Especializada de Meio Ambiente (DEMA) e da Diretoria de Bem-Estar Animal (BEA), que agiram após receberem denúncias anônimas. O que as equipes encontraram no local, no bairro Porto, foi um cenário de completo horror.

No canil clandestino, mais de 70 animais de raça, incluindo Shih-tzu, Spitz Alemão e Pinscher, viviam em um ambiente insalubre, coberto por fezes, sujeira e comida velha. A situação era tão grave que a veterinária da BEA, Morgana Thereza Ens, relatou nunca ter visto algo parecido. “Encontramos animais mortos, e alguns cães se alimentando dos próprios cadáveres. Foi uma cena muito difícil de presenciar”, afirmou.
A delegada Juliana Palhares, da DEMA, descreveu o local como um “absurdo”, onde animais eram criados para comercialização sem qualquer manejo adequado, alvará sanitário ou cuidado básico. A operação também revelou a existência de uma criação irregular de hamsters e outros roedores, como gerbils e twisters, além de galinhas, todos em condições de maus-tratos.

A Secretaria de Bem-Estar Animal resgatou 59 cães, seis deles em estado grave e necessitando de atendimento veterinário imediato. A delegada Palhares fez um apelo à população, pedindo que não incentivem esse tipo de crime ao comprar animais de criadores clandestinos.
A Polícia Civil continua a investigação para garantir que os responsáveis sejam responsabilizados.
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