A Justiça da Comarca de Sorriso acatou a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra o empresário Gabriel Júnior Tacca e o comerciante Danilo Carlos Guimarães, acusados de homicídio qualificado contra Ivan Michel Bonotto, de 35 anos. A decisão resultou na decretação da prisão preventiva de ambos.
Gabriel Tacca e Danilo Guimarães são acusados de cometer homicídio qualificado, um crime hediondo que, neste caso, foi agravado por ter sido cometido por motivo fútil e de forma que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, a investigação aponta que a médica Sabrina Iara de Mello, esposa de Gabriel, teria cometido fraude processual ao tentar apagar evidências do celular da vítima.
O CASO E A PARTICIPAÇÃO DA MÉDICA
A prisão dos suspeitos ocorreu durante a Operação Inimigo Íntimo, em 15 de julho deste ano, que investigou a morte de Ivan Bonotto. Ivan, que era amigo de longa data do casal Gabriel e Sabrina, foi morto a facadas em uma distribuidora pertencente a Gabriel em março deste ano.
Inicialmente, Gabriel Tacca tentou despistar a polícia, alegando que o incidente foi uma briga de bar e que não conhecia os envolvidos. No entanto, a investigação, conduzida pelo delegado Bruno França, revelou uma trama de crime passional. As investigações apontaram que, ao descobrir que sua esposa, a médica Sabrina, mantinha um relacionamento extraconjugal com Ivan, Gabriel teria contratado Danilo para cometer o assassinato.
A trama se intensificou quando a médica Sabrina Iara de Mello entrou no caso. Quatro minutos após Ivan dar entrada no hospital, ela se apresentou como “amiga” e, durante os três dias em que esteve no local, pegou o celular da vítima e apagou diversas evidências do relacionamento amoroso, incluindo mensagens, fotos e até um vídeo. A polícia, no entanto, já tinha conhecimento do caso extraconjugal, com imagens de câmeras de segurança mostrando Ivan e Sabrina se beijando na residência dela, 13 dias antes do ataque. As imagens mostram a cumplicidade entre os dois, e em um trecho, Ivan chega a fazer sinais com as mãos para a câmera, mostrando que sabia que a traição estava sendo filmada.
Apesar das evidências, a médica Sabrina negou veementemente seu envolvimento no crime e se defendeu em uma nota publicada nas redes sociais. Nela, ela se disse vítima de “calúnia e falsas acusações”, e criticou o “julgamento público” que a acusa de encobrir o crime e manter um caso extraconjugal. Sabrina afirmou ainda que a maioria das pessoas “não condena o assassino confesso, mas fazem alvoroço para devassar [sua] vida privada”. A médica confirmou que foi interrogada pela polícia e liberada, e que está trabalhando em sua defesa para provar que “não há, absolutamente, nenhum nexo” entre sua conduta e o homicídio.
O delegado Bruno França, no entanto, reafirmou que as investigações apontam que a médica foi a “mentora da fraude processual”. Ele também revelou que Ivan, enquanto estava internado, pediu que a médica não o visitasse, o que corrobora as suspeitas do envolvimento de Sabrina no caso. Ivan morreu após três semanas de internação, devido às complicações causadas pelas facadas.

