*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 16 de setembro, a Operação Primatus para desarticular uma facção criminosa que comandava uma rede de tráfico de drogas, extorsão e outros crimes na região de Aripuanã.

A ação é fruto de uma investigação conjunta entre a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e a Delegacia de Aripuanã.
SEQUESTRO DE BENS E VALORES E MANDADOS DE PRISÃO
A operação resultou no cumprimento de 26 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão. Além disso, foram realizados quatro bloqueios de valores, com um total que pode chegar a R$ 1 milhão, e o sequestro de quatro veículos de luxo: uma I/RAM 3500, uma Toyota Hilux, um Chevrolet Camaro e uma Dodge Ram.

Para complementar as ações, duas empresas, uma de terraplanagem e outra de comércio de alimentos, tiveram suas atividades econômicas suspensas em Aripuanã, por suspeita de envolvimento com o esquema criminoso.
Os mandados foram cumpridos, em sua maioria, em Aripuanã. No entanto, quatro mandados de prisão foram executados em penitenciárias: três em Cuiabá e um em Colniza.
INVESTIGAÇÃO E CRIMES COMETIDOS
As investigações duraram dois meses e revelaram uma estrutura organizada dentro do grupo criminoso. A polícia conseguiu identificar a hierarquia da facção, com membros responsáveis pela liderança, pelos “julgamentos” internos e até mesmo pelos “salves” que são os castigos aplicados a quem desagradasse o grupo.

A facção era especializada na extorsão de garimpeiros e compradores de ouro, cobrando até 2% sobre a comercialização do minério e sobre a venda de áreas de exploração. A organização também atuava na cobrança de dívidas particulares, recebendo um percentual do valor recuperado.
Além do tráfico de drogas e das extorsões, os investigados são acusados de uma série de crimes graves, incluindo homicídios, ameaças, tortura e lavagem de dinheiro.
A investigação também revelou uma ação social criminosa: o grupo utilizava o dinheiro do tráfico para comprar e distribuir cestas básicas, tanto com recursos ilícitos quanto com fundos de pessoas obrigadas a financiar a ação como forma de punição por atos que desagradaram a facção.

