A taxa média dos juros do cartão de crédito rotativo registrou alta em julho, chegando a 446,6% ao ano. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (27) pelo Banco Central (BC), aponta um aumento de 6,1 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Os números fazem parte do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito.
Juros do cartão de crédito atingem novo patamar em julho
O rotativo do cartão de crédito é uma linha de crédito disponibilizada pelos bancos quando o cliente não consegue pagar o valor integral da fatura até a data de vencimento. Nesses casos, o consumidor entra automaticamente nessa modalidade.
Pelas regras em vigor, se a dívida não for quitada, a instituição financeira deve oferecer, em até 30 dias, o parcelamento do saldo devedor ou outra forma de pagamento com condições consideradas mais vantajosas. Apesar disso, especialistas alertam que essa é a linha de crédito mais cara do mercado, sendo recomendável evitar o uso sempre que possível.
Em dezembro de 2023, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma medida que limitou os juros do rotativo. Desde 3 de janeiro de 2024, os encargos não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida.
Taxa do cartão parcelado e juros totais
Enquanto o rotativo apresentou alta, o cartão de crédito parcelado registrou queda de 0,8 ponto percentual em julho, chegando a 181,7% ao ano. Já a taxa total do cartão, que engloba todas as modalidades, recuou 0,7 ponto percentual no mesmo período, ficando em 88,1% ao ano.
Cheque especial também apresenta redução
Considerada a segunda linha de crédito mais cara do país, o cheque especial teve queda nos juros médios. Em julho, a taxa ficou em 133,8% ao ano, ante 135,7% registrados em junho, uma redução de 1,9 ponto percentual.
Nova modalidade de crédito vinculada ao FGTS
Além das variações nos juros do cartão de crédito, o mercado acompanha o desempenho de uma nova linha de crédito lançada em março pelo governo federal, que permite o uso de recursos do FGTS como garantia.
Nesse modelo, o trabalhador pode utilizar até 10% do saldo do fundo, além de 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa. As parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, sem a necessidade de intermediação da empresa empregadora.
Inicialmente, o crédito estava disponível apenas pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, mas desde abril passou a ser oferecido também pelos canais eletrônicos de bancos habilitados. Em maio, foi liberada ainda a portabilidade de dívidas para outras instituições financeiras. Até o momento, não há limite máximo para os juros cobrados nessa modalidade, ficando a critério de cada banco definir suas taxas.

