A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar o pedido de investigação envolvendo o ministro Gilmar Mendes na CBF, referente a sua atuação em processos que tratavam da permanência de Ednaldo Rodrigues no comando da entidade. O caso ganhou repercussão após questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, mas foi encerrado sem abertura de apuração criminal.
Pedido de investigação contra Gilmar Mendes na CBF
O requerimento foi apresentado pelo vereador Guilherme Kilter (Novo-PR), que apontava indícios de favorecimento do ministro à gestão de Ednaldo Rodrigues. Entre os argumentos, constavam a relação institucional entre a Confederação Brasileira de Futebol e o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual Gilmar Mendes é sócio-fundador.
A análise ficou a cargo da Assessoria Jurídica Criminal da PGR, que concluiu não existirem elementos suficientes para caracterizar crime. Segundo o parecer, as questões levantadas se limitavam a aspectos processuais de suspeição, sem implicações de natureza penal.
Relações institucionais e contrato do IDP com a CBF
Um dos pontos que geraram suspeita foi o contrato firmado entre a CBF e o IDP, que resultou na criação da CBF Academy, voltada à profissionalização do futebol brasileiro. Críticos sustentavam que essa ligação poderia comprometer a imparcialidade do ministro.
Em sua defesa, Gilmar Mendes afirmou que não teve participação direta no acordo, ressaltando que a negociação foi conduzida pela administração do IDP. O ministro declarou que o contrato tinha caráter de direito privado e que não havia conflito de interesses, ainda que seu filho, Francisco Schertel Mendes, ocupe a posição de diretor-geral da instituição.
Decisões judiciais relacionadas à CBF
A atuação de Gilmar Mendes na CBF também foi questionada devido a decisões judiciais que mantiveram Ednaldo Rodrigues na presidência. Em janeiro de 2024, o ministro suspendeu determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que afastava Ednaldo do cargo. Posteriormente, em maio de 2025, rejeitou mais dois pedidos de afastamento.
Entretanto, em 15 de maio de 2025, a Justiça do Rio voltou a afastar o dirigente. Poucos dias depois, em 19 de maio, Ednaldo Rodrigues desistiu de retornar ao comando da entidade.
Vínculo entre Gilmar Mendes e Paulo Gonet
O caso também destacou a relação histórica entre Gilmar Mendes e o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ambos foram sócios-fundadores do IDP, em 1998. Anos depois, em 2017, Gonet vendeu sua participação a Francisco Mendes por R$ 12 milhões.
Em 2023, Gonet foi nomeado procurador-geral pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decisão que, segundo analistas, contou com o prestígio político de Gilmar após episódios da Operação Lava Jato.

