O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não ligará para Trump e que o tema será um dos tópicos discutidos entre os países do Brics, como resposta ao avanço de medidas comerciais por parte dos Estados Unidos. Em entrevista à agência Reuters, Lula destacou a necessidade de diálogo multilateral diante do que chamou de “ameaça ao equilíbrio global” promovida pela política externa norte-americana.
Lula diz que não ligará para Trump e nem irá se humilhar aos EUA
Durante a entrevista concedida nesta quarta-feira (6), Lula afirmou que irá iniciar conversas com os líderes da Índia e da China para avaliar os impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump. O presidente brasileiro destacou que essa movimentação sinaliza uma tentativa de enfraquecer o multilateralismo, substituindo-o por acordos bilaterais sob domínio norte-americano.
Segundo Lula, “o que o presidente Trump está fazendo é acabar com o multilateralismo, substituindo acordos coletivos por negociações individuais, o que prejudica países com menor poder de barganha”.
O presidente brasileiro afirmou que o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul irá discutir estratégias conjuntas para enfrentar os impactos econômicos causados pelas recentes medidas tarifárias dos EUA. Ele ainda mencionou que ligará para Trump será um dos pontos da pauta, numa tentativa de pressionar por uma revisão das decisões unilaterais.
Além de Modi e Xi Jinping, Lula também pretende envolver outros chefes de Estado que compõem o grupo Brics ampliado, com a intenção de elaborar uma reação coordenada. “Vamos tentar entender como cada país está sendo afetado, para que possamos tomar uma decisão conjunta”, afirmou.
Trump acusa Brics de ser antiamericano e eleva tarifas
No início de julho, Trump classificou o Brics como “antiamericano” e ameaçou com tarifas de 10% durante a cúpula do grupo no Rio de Janeiro. Poucos dias depois, os EUA anunciaram sanções econômicas mais severas, com tarifas de até 50% sobre diversos produtos brasileiros e indianos.
As tarifas direcionadas à China também foram intensificadas, alcançando 30% após acordo em maio. Trump justificou parte das sanções ao Brasil como retaliação à chamada “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto as restrições à Índia estariam ligadas à continuidade da importação de petróleo da Rússia.
De olho na Europa
Além das articulações dentro do Brics, Lula anunciou que buscará respaldo da União Europeia para enfrentar os efeitos do protecionismo americano. O presidente afirmou que está comprometido em concluir o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu até o final do ano, o que, segundo ele, beneficiará uma população conjunta de mais de 720 milhões de pessoas.
“Vamos fechar o acordo”, declarou, demonstrando otimismo quanto à integração econômica entre América do Sul e Europa diante de um cenário de crescente instabilidade global.

