*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil deflagrou a Operação Rábula, mirando um esquema criminoso audacioso que explorava a vulnerabilidade de idosos em Cuiabá e Várzea Grande.
A Operação Rábula visa o cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além do bloqueio de cerca de R$ 300 mil em contas bancárias, buscando recuperar parte dos valores roubados e responsabilizar todos os envolvidos neste esquema criminoso.
O centro da quadrilha era um homem de 31 anos, que, mesmo sendo apenas bacharel em Direito e sem registro na OAB, se passava por advogado para aplicar os golpes. Ele contava com a participação de dois comparsas, de 27 e 39 anos, ambos com histórico criminal. Um deles já foi preso, enquanto o outro permanece foragido.
O falso advogado, travestido em vestes sociais e utilizando linguagem técnica, frequentava locais como igrejas, salões de beleza e hospitais para identificar potenciais vítimas ou angariar indicações de idosos. Para dar ainda mais credibilidade à farsa, era sempre acompanhado por um dos comparsas, que se apresentava como seu motorista. O foco eram idosos prestes a se aposentar ou a receber benefícios sociais.
Uma vez que conquistavam a confiança das vítimas, o grupo obtinha acesso às contas bancárias dos idosos por meio de aplicativos. A partir daí, contratavam empréstimos de até R$ 24 mil, com parcelas longas e juros exorbitantes. O resultado era o comprometimento total da renda das vítimas, que, em muitos casos, ficavam sem recursos até para necessidades básicas como alimentação.
Os prejuízos que as vítimas sofreram não foram apenas financeiros. Os suspeitos causaram um impacto emocional devastador. Uma das pessoas enganadas, por exemplo, viu sua conta bancária zerada no mesmo dia em que o benefício foi depositado. Outra idosa, que desembolsou R$ 10 mil por serviços advocatícios que nunca recebeu, foi surpreendida com um carnê de financiamento de uma caminhonete de luxo avaliada em R$ 278 mil.
O sofrimento das vítimas se estendeu para a saúde mental. Uma idosa relatou ter perdido todas as suas economias e desenvolvido síndrome do pânico e depressão, vivendo com o medo constante de ser monitorada pelos criminosos.
A investigação da Delegacia de Roubos e Furtos de Várzea Grande (Derf-VG) revelou que os comparsas do falso advogado são reincidentes criminais. Um deles possui condenação por roubo majorado, enquanto o outro acumula dez registros criminais, incluindo cinco condenações por roubo e uma por porte ilegal de arma de fogo.

