A mais recente pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (16), indica que 53% desaprovam governo Lula, embora a diferença entre os que reprovam e aprovam tenha diminuído nos últimos dois meses. A tendência aponta para uma leve recuperação da imagem do presidente, especialmente entre eleitores moderados e em regiões fora das bases tradicionais de apoio do Partido dos Trabalhadores (PT).
53% desaprovam governo Lula mesmo com ações positivas
Segundo o levantamento, o número de brasileiros que desaprovam o governo Lula caiu de 57% em maio para 53% em julho. Ao mesmo tempo, a taxa de aprovação subiu de 40% para 43%. A diferença entre os dois grupos, que era de 17 pontos percentuais, agora é de apenas 10. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 10 e 14 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A leve melhora na percepção pública coincide com recentes iniciativas do governo federal. Entre elas, a defesa da taxação de grandes fortunas, apresentada como um esforço para combater desigualdades sociais, e o posicionamento contrário à tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Essas ações foram acompanhadas de uma intensa campanha de comunicação promovida pelo Planalto e pelo PT, que buscou reforçar a ideia de soberania nacional.
Avaliação varia entre grupos políticos
Os dados também revelam um cenário polarizado. A aprovação continua elevada entre os que se identificam como lulistas e permanece baixa entre bolsonaristas. No entanto, o maior crescimento na avaliação positiva ocorreu entre os eleitores considerados moderados, grupo que tem se mostrado mais receptivo às recentes pautas do governo.
Reação à tarifa imposta pelos EUA
Um dos pontos que mais impactaram a opinião pública foi a ameaça dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, associada a uma suposta retaliação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teve ampla rejeição popular. Segundo a pesquisa, 79% dos entrevistados acreditam que a tarifa vai prejudicar a economia do país, enquanto 72% consideram injusta a ação do governo norte-americano.
Essa percepção unificou lulistas e moderados contra a medida e foi vista como uma oportunidade pelo governo Lula para reforçar sua retórica nacionalista. A reação também teria contribuído para atrair parte dos eleitores do centro político, que, até então, se mantinham distantes do debate polarizado.

