O governo federal acelerou o ritmo da liberação de recursos, e o destaque da última semana foi o montante reservado para emendas parlamentares. De acordo com a atualização do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), divulgada nesta segunda-feira (30), foram empenhados R$ 803,2 milhões entre os dias 26 e 27 de junho, elevando o total acumulado para R$ 3,1 bilhões. A movimentação evidencia a crescente pressão do Congresso Nacional, já que a demora no repasse das emendas vinha gerando insatisfação entre deputados e senadores.
Milhões em emendas movimenta cenário político no Congresso
O termo “empenho” se refere ao comprometimento do governo em reservar parte do Orçamento para futuros pagamentos, o que difere do desembolso efetivo. Nesse mesmo período, o total pago saltou de R$ 465,3 milhões para R$ 939,7 milhões, um crescimento de R$ 474,5 milhões.
A liberação desses valores ocorre em um momento de tensão entre o Executivo e o Legislativo. Muitos parlamentares vinham demonstrando descontentamento com a lentidão na liberação das emendas, que são vistas como essenciais para a execução de obras e projetos em suas bases eleitorais.
Alcolumbre lidera pagamentos de emendas
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi o parlamentar que mais recebeu recursos no período analisado. Ele teve R$ 20,6 milhões pagos entre os dias 26 e 27 de junho — sua primeira liberação do ano.
A liberação das emendas ocorreu logo após o senador liderar uma derrota importante ao governo Lula no Legislativo. Na quarta-feira (25), Alcolumbre agilizou a votação do Projeto de Decreto Legislativo que derrubava decretos do Executivo sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A votação foi simbólica e rápida, surpreendendo até mesmo aliados do governo que acreditavam na possibilidade de o projeto ser postergado no Senado.
A recente movimentação do governo federal em liberar R$ 3,1 bilhões em emendas parlamentares reforça a importância estratégica dessas verbas no relacionamento com o Congresso Nacional. O processo de empenho, seguido por liquidação e pagamento, mostra a complexidade envolvida na execução do Orçamento e os desafios do Executivo em atender às demandas do Legislativo.

