*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A chapa de oposição à Prefeitura de Brasnorte, formada por Eric Fantin (PL) e Luciano Papadiuk (PP) contesta o resultado das últimas eleições municipais, baseando-se em graves denúncias de suposta compra de votos. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Luciano Papadiuk expressou a insatisfação e a expectativa pela decisão judicial. Ele pede celeridade quanto ao caso.
Papadiuk ressaltou a conduta da campanha oposicionista, afirmando ter sido pautada pela lealdade e transparência junto à população de Brasnorte e à Justiça Eleitoral.
“Ganhamos em todas as urnas na cidade e no interior, perdendo somente para os povos indígenas, não conseguimos chegar lá”, lamentou o candidato.
Ele explicou que, logo após o pleito, o Ministério Público Eleitoral de Brasnorte instaurou um processo contra o prefeito reeleito, Edelo Marcelo Ferrari, que alega compra de votos junto aos povos indígenas.
“São quase nove meses de trabalho do Ministério Público e agora, se encerrando todo esse processo, estamos aguardando a decisão judicial”, detalhou Papadiuk.
No vídeo, o ex-candidato dirigiu-se diretamente ao juiz da Comarca de Brasnorte, clamando por celeridade na decisão.
“Venho aqui com muito respeito me direcionar ao excelentíssimo juiz da Comarca de Brasnorte e pedir que nos desse essa decisão judicial para acalmar os ânimos da nossa população e nos deixar uma mensagem de esperança, independente do resultado. Clamamos por essa decisão judicial”, finalizou Luciano Papadiuk, evidenciando a tensão e a expectativa que permeiam o cenário político local.
A sentença da Justiça Eleitoral pode impactar diretamente o mandato do atual prefeito Edelo Marcelo Ferrari.
VEJA VÍDEO DE LUCIANO PAPADIUK PUBLICADO NAS REDES SOCIAIS
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ENTENDA O QUE ACONTECEU
O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou suas alegações finais à 56ª Zona Eleitoral de Brasnorte, solicitando a cassação dos registros e a inelegibilidade do prefeito Edelo Marcelo Ferrari, da vice-prefeita Roseli Borges de Araújo Gonçalves, e do vereador Gilmar Celso Gonçalves, conhecido como “Gilmar da Obras”. Eles são acusados de suposta compra de votos e aliciamento de indígenas em troca de sufrágios.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura o caso foi motivada por diversas irregularidades, incluindo o transporte irregular de eleitores da aldeia indígena Enawene Nawena na véspera das eleições e o aliciamento de eleitores indígenas mediante promessas de vantagens para transferência de domicílio eleitoral.
Segundo o MPE houveram indícios de compra de votos e abuso de poder econômico. Dentre as alegações, destacam-se o uso de veículos de indígenas com combustível pago, a oferta de bens como fraldas, medicamentos, combustível, frango congelado, conserto de veículo ou dinheiro em troca de voto.
Em abril, o juiz eleitoral Romeo da Cunha Gomes havia decidido pela ilegitimidade ativa da coligação “Coragem para Mudar”, excluindo-a do processo por ausência de interesse jurídico direto.
O MPE requereu a cassação dos registros ou diplomas dos três políticos, a declaração de inelegibilidade por oito anos e a aplicação de multa de até R$ 53.205,00, além da anulação do pleito no município.
A defesa de Edelo e Roseli nega qualquer envolvimento nos atos ilícitos, alegando que não há provas concretas que demonstrem ligação entre eles e as ações questionadas.
A Justiça Eleitoral ainda não decidiu sobre o caso.

