A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, nesta segunda-feira (23), um reajuste de até 6,06% nos planos de saúde individuais e familiares em todo o Brasil. A decisão impacta os contratos válidos entre maio de 2025 e abril de 2026, afetando milhões de usuários que contratam serviços diretamente, sem vínculo com empresas ou associações.
Aumento dos planos de saúde individuais começa a partir de julho
O reajuste autorizado nos planos de saúde individuais poderá ser aplicado no mês de aniversário do contrato, ou seja, no mês em que foi firmado o serviço. Para contratos que completam aniversário em maio e junho, as operadoras poderão iniciar a cobrança já em julho, ou, no mais tardar, em agosto, incluindo os valores retroativos.
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 8,6 milhões de beneficiários desses planos, o que representa cerca de 16,5% dos usuários de assistência médica no país, que somam 52,3 milhões no total.
Entenda as diferenças nas regras dos contratos
O reajuste de até 6,06% definido pela ANS vale exclusivamente para os planos de saúde individuais e familiares. Os contratos coletivos, sejam empresariais ou por adesão — firmados através de sindicatos e associações —, não estão contemplados nesse limite.
Os planos coletivos representam atualmente cerca de 83,5% do mercado, atingindo aproximadamente 43,7 milhões de usuários. Nesses casos, os reajustes são definidos livremente por meio de negociações entre as operadoras e as empresas contratantes, sem qualquer teto imposto pela ANS. Essa situação frequentemente gera reclamações dos consumidores devido aos aumentos elevados.
Apesar de ser considerado moderado, o reajuste dos planos de saúde individuais ficou acima da inflação oficial do país. Segundo o IBGE, o IPCA acumulou alta de 4,83% nos 12 meses de 2024 e de 5,32% até maio de 2025, último dado disponível.
A ANS ressalta que a metodologia utilizada para definir o teto dos planos de saúde individuais não se baseia exclusivamente na inflação. O cálculo leva em conta a variação nas despesas assistenciais das operadoras e a frequência de utilização dos serviços de saúde pelos beneficiários.
Dessa forma, o reajuste reflete tanto o aumento nos custos médicos quanto a maior demanda por atendimentos, além da incorporação de novas tecnologias no setor.
Setor de saúde suplementar cresce, mas consumidores reclamam
Enquanto os consumidores manifestam insatisfação com os constantes aumentos, principalmente nos planos coletivos, as operadoras de saúde alegam que os reajustes são necessários devido ao aumento dos custos com exames, internações e tratamentos, agravados pelo envelhecimento da população e pela adoção de novas tecnologias médicas.
Apesar dessas alegações, os números do setor mostram um cenário de crescimento. Somente no primeiro trimestre de 2025, as operadoras registraram um lucro líquido de R$ 6,9 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2024, que foi de R$ 3,1 bilhões, segundo dados da própria ANS.

