O partido Chega, liderado por André Ventura, principal nome da direita em Portugal, anunciou que pretende abrir uma investigação contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. Segundo Ventura, o objetivo é apurar possíveis vínculos, patrimônio e rede de interesses mantidos por Mendes em território português.
A declaração foi feita nas redes sociais, onde Ventura associou o magistrado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou como uma “ditadura”. Além disso, sugeriu que aliados do governo brasileiro em Portugal estariam atuando para “aparar golpes”.
Declarações polêmicas de André ventura sobre o Brasil
O líder do Chega é conhecido por suas críticas ao governo brasileiro. Durante as eleições portuguesas de novembro de 2024, Ventura chegou a afirmar que prenderia Lula caso fosse eleito primeiro-ministro de Portugal. Em outra ocasião, também declarou que proibiria o presidente do Brasil de entrar no país, alegando que “Portugal já tem corruptos demais”.
Essas manifestações reforçam o tom de enfrentamento adotado por Ventura não apenas contra o governo brasileiro, mas também contra figuras de relevância no Judiciário do Brasil, como o ministro Gilmar Mendes.
Investigação contra Gilmar Mendes ganha força durante o fórum de Lisboa
A repercussão sobre a investigação contra Gilmar Mendes cresceu após a divulgação dos detalhes do Fórum de Lisboa, evento anual organizado pelo próprio ministro e informalmente apelidado de “Gilmarpalooza”.
A menos de 20 dias do evento, seis ministros do STF já confirmaram presença como palestrantes, além de executivos de grandes empresas, como o BTG Pactual — instituição que possui processos em tramitação no Supremo brasileiro.
Entre as empresas com representantes no evento estão BTG Pactual, Light, Eletrobras e Grupo Yduqs. O BTG, por exemplo, enviará a sócia Bruna Marengoni, o diretor jurídico Bruno Duque e o chairman André Esteves que, inclusive, já foi preso por ordem da própria Corte, mas posteriormente teve seu processo arquivado por falta de provas.
A organização do Fórum informou, por meio de nota, que os palestrantes são convidados com base em critérios acadêmicos e técnicos, e que não há qualquer tipo de contrapartida financeira ou institucional. Segundo eles, a curadoria do evento é “plural e independente”. O BTG reforçou que não patrocina o encontro e que sua participação ocorre por ser uma referência no setor.
Entre os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, seis já confirmaram presença no evento: Luís Roberto Barroso (presidente do STF), Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Flávio Dino e, claro, o próprio Gilmar Mendes.
Além de membros do Judiciário, o Fórum também contará com a presença de nomes relevantes da política, da advocacia e do setor empresarial, tanto do Brasil quanto de Portugal.

