Em entrevista recente à revista The New Yorker, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, associando seu discurso a uma retórica anarquista. As declarações foram dadas durante sua visita à Rússia, onde Lula participa das comemorações do 80º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial.
Lula associa Trump ao discurso anarquista e critica políticas americanas
Durante a entrevista publicada nesta quinta-feira (8), Lula afirmou que o ex-presidente norte-americano Donald Trump promoveu ideias que se aproximam de uma visão anarquista, ao defender uma “sociedade sem instituições”. Para o líder brasileiro, as falas do republicano representam um desprezo pelas estruturas institucionais que sustentam a democracia moderna.
O termo “anarquista”, utilizado por Lula, foi empregado para classificar o teor das declarações de Trump, que, segundo ele, incentivariam uma ruptura institucional. Lula também criticou os republicanos que, em sua visão, aplaudiam qualquer afirmação sem fundamentos feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos.
O presidente brasileiro voltou a defender o multilateralismo nas relações internacionais e apontou que as políticas tarifárias de Trump vão na contramão da cooperação global. Lula destacou que tais medidas representam um afastamento dos princípios que consolidaram a paz e o diálogo internacional após a Segunda Guerra Mundial.
Segundo o petista, o respeito à diversidade, à soberania das nações e a busca por soluções conjuntas para os problemas globais são pilares que não podem ser ignorados. Ele alertou que o unilateralismo praticado pelos Estados Unidos em algumas decisões afeta diretamente a estabilidade geopolítica e os esforços por uma governança internacional mais justa.
Lula e a guerra na Ucrânia: críticas e tentativa de mediação
Ainda no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula voltou a criticar a atuação dos Estados Unidos, desta vez direcionando suas observações à gestão de Joe Biden. Ele afirmou que o foco do governo americano parece ser a destruição das forças russas, em vez da construção de uma solução pacífica.
O presidente brasileiro também comentou que, caso Donald Trump viesse a liderar uma mediação de paz bem-sucedida, poderia até ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Entretanto, Lula acrescentou que tal cenário traria consequências econômicas para a Europa, que teria que arcar com os custos da guerra e da reconstrução da Ucrânia.
Por outro lado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou qualquer papel de mediação por parte de Lula, afirmando que ele não possui mais relevância diplomática suficiente para atuar como interlocutor no conflito.

