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Leia: Congresso revogou em 2022, lei de Bolsonaro que punia fraudes em descontos do INSS
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25 de abril de 2026 20:41

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OpiniãoMT > Blog > Brasil > Congresso revogou em 2022, lei de Bolsonaro que punia fraudes em descontos do INSS
Brasil

Congresso revogou em 2022, lei de Bolsonaro que punia fraudes em descontos do INSS

Uma lei sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro contra fraudes no INSS foi revogada pelo Congresso em 2002, favorecendo entidades agora investigadas em desvio de R$ 8 bilhões em descontos indevidos.

última atualização: 29 de abril de 2025 17:24
Redação OPMT
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5 Minutos de Leitura
Congresso revogou em 2022, lei de Bolsonaro que punia fraudes em descontos do INSS
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Uma lei sancionada em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para coibir fraudes em descontos de aposentados no INSS foi revogada em 2022 por uma manobra do Congresso, o que teria favorecido entidades sindicais agora investigadas pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema bilionário de desvios. A Operação Sem Desconto revelou um prejuízo estimado em R$ 8 bilhões causado por descontos indevidos em folha entre 2016 e 2024.

Operação Sem Desconto expõe esquema de corrupção no INSS

Na última quarta-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto com o objetivo de apurar um esquema de fraudes envolvendo descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão, além de seis ordens de prisão temporária e sequestro de bens no valor de mais de R$ 1 bilhão. A ação ocorreu em 14 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal.

Segundo a investigação, os valores desviados por meio de descontos irregulares entre 2016 e 2024 chegam a quase R$ 8 bilhões. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que quase 100% dessas cobranças foram feitas sem autorização dos beneficiários, violando normas legais vigentes.

A lei de 1990 e mudanças ao longo do tempo

Os descontos em folha do INSS destinados a entidades representativas de aposentados estão previstos desde a década de 1990. A legislação permite que tais descontos sejam feitos apenas por entidades legalmente reconhecidas, e somente com autorização dos filiados.

Diante de crescentes denúncias de prejuízos aos aposentados, o então presidente Jair Bolsonaro sancionou, em 2019, a Medida Provisória (MP) 871/2019. Essa lei sancionada estabelecia medidas rigorosas para combater fraudes no sistema previdenciário, entre elas a exigência de revalidação bienal das autorizações dos filiados para manter os descontos em folha. A regra passou a exigir que os sindicatos comprovassem periodicamente a autorização de seus associados.

Entidades sindicais e parlamentares, sobretudo ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), passaram a se mobilizar contra a medida. Alegando dificuldades operacionais para reunir provas de autorização de mais de 7 milhões de filiados, pressionaram pela revogação da exigência.

Essa pressão resultou na inclusão de um dispositivo revogando a regra da MP 871/2019 dentro do texto da MP 1.107, aprovada em 2022. Originalmente, essa medida tratava exclusivamente sobre a criação de microcrédito digital, sem qualquer relação com os descontos previdenciários. No entanto, a modificação passou despercebida por grande parte da opinião pública à época.

Com a revogação da lei sancionada contra fraudes, a obrigatoriedade de comprovação de autorização dos descontos foi eliminada, o que, segundo a PF, facilitou o retorno de práticas fraudulentas no sistema.

Maior parte dos desvios ocorreu nos dois primeiros anos do governo Lula

A investigação da Polícia Federal aponta que, entre 2019 e 2024, cerca de R$ 6,5 bilhões foram desviados em repasses do INSS para sindicatos. Deste total, R$ 4,1 bilhões — aproximadamente 64% — ocorreram apenas em 2023 e 2024, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Levantamento realizado pelo portal Poder360 revela que representantes das entidades sindicais investigadas estiveram em reuniões com o Ministério da Previdência Social e o INSS pelo menos 15 vezes desde o início de 2023. Foram contabilizados oito encontros em 2023, cinco em 2024 e dois em 2025.

A revogação da lei sancionada em 2019, criada para evitar fraudes no INSS, acabou criando espaço para que entidades sindicais realizassem descontos indevidos em benefícios de milhões de aposentados e pensionistas. 

Com base nas investigações da Polícia Federal e da CGU, o esquema resultou em prejuízos bilionários e está sendo alvo de uma das maiores operações de combate à corrupção envolvendo recursos da Previdência Social. As apurações seguem em curso, com a expectativa de responsabilização dos envolvidos e eventual recuperação dos valores desviados.

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