*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Um levantamento da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), divulgado no Anuário de Violência Doméstica e Crimes Sexuais – 2024, aponta um cenário preocupante sobre a violência doméstica em Cuiabá.
O estudo revela que a maioria das vítimas possui baixa renda e vive em moradias precárias, e a violência se concentra em bairros com deficiências de infraestrutura e alta densidade populacional.
Os números mostram um perfil claro das mulheres que buscam ajuda:
-Renda e Moradia: A maioria, 58%, vive com uma renda de até três salários-mínimos, e quase metade, 49%, está em situação de moradia instável ou precária. Isso sublinha como a vulnerabilidade econômica e social é um fator agravante para a violência.
-Idade e Educação: As vítimas têm entre 30 e 49 anos, são majoritariamente pardas e, em sua maioria, 62%, têm o ensino médio completo. Entre as ocupações, as donas de casa são as que mais procuram atendimento, seguidas por estudantes e estagiárias.
A pesquisa também destaca a proximidade dos agressores: 62% dos casos são cometidos por homens com quem a vítima tem ou teve um relacionamento. Em 41% dos casos, a violência ocorreu em relacionamentos estáveis com duração de três a dez anos, o que demonstra a complexidade e a duração desses ciclos de abuso.
CONCENTRAÇÃO GEOGTÁFICA DA VIOLÊNCIA
O anuário revela que os bairros com maior incidência de violência doméstica são o Dom Aquino, o Porto e o Pedra 90, que lideram o ranking de registros. Além desses, outros locais com altos índices incluem o Jardim Florianópolis, o Parque Cuiabá, o Duque de Caxias e o Cidade Alta.
O relatório também notifica casos em bairros de maior poder aquisitivo, como Morada da Serra, Centro, Jardim das Américas e Quilombo, mostrando que a violência doméstica é um problema que perpassa todas as classes sociais, embora suas manifestações sejam mais visíveis em comunidades com menos recursos.

